De mala e cuia

Intercâmbio na Irlanda – parte 2: choque cultural

irlanda
Mão inglesa – Centrinho de Malahide – Arquivo pessoal

Olá pessoal!

Esta é a parte 2 sobre o meu intercâmbio na Irlanda. Antes de ler esse texto, vale a pena dar uma olhadinha aqui na parte 1, onde falo da coragem para o pontapé inicial.

Antes de ir para Irlanda, nunca tinha saído do país. Entre fevereiro (quando fechei o pacote de intercâmbio) e setembro de 2015 (data da viagem) consumi muito conteúdo sobre o meu país de destino com o objetivo de chegar com o mínimo de dúvidas possível, tais como: blogs sobre viagem, blogs sobre intercâmbio, canais no youtube que falavam sobre intercâmbio na Irlanda, entre outros.

Como meu voo de ida tinha escala em Paris, lá se iniciou meu primeiro desafio internacional: colocar em prática meus conhecimentos medianos de inglês para tentar me comunicar. Os franceses tem fama de não serem muito simpáticos com pessoas que se comunicam em inglês, e, isso me deixou um pouco aflita. Mas, para minha sorte, ao chegar no aeroporto Charles de Gaulle a atendente da Air France foi extremamente simpática e atenciosa, fornecendo todas as informações que necessitava para me dirigir até o terminal onde pegaria o voo para Dublin.

Chegando em Dublin, meu segundo desafio seria a temida imigração. No entanto, o agente da imigração foi muito prestativo e confesso que ter toda a documentação em mãos (reserva da acomodação, carta da escola, seguro saúde internacional, passagem de volta, dinheiro em espécie e cartão de crédito internacional) facilitou a minha entrada na Ilha Esmeralda.

Depois da imigração e com minha big mala em mãos, fui buscar informações para ir até o centro da cidade gastando o mínimo possível. No meu plano inicial, pegaria um ônibus que sai do aeroporto e chegando ao centro caminharia até a minha acomodação. Mas, São Pedro não foi muito legal comigo, e, ao sair do aeroporto fui recebida em solo irlandês com a sua famosa chuva. Já estava quase desistindo de ir de ônibus para pegar um taxi, quando avistei um guichê do ônibus que faz a linha direta do aeroporto para o centro da cidade. Antes de comprar o passe para o ônibus, perguntei se aceitavam pagamento com notas de Euro, pois os ônibus comuns aceitam somente moedas e no valor exato do trecho, ou seja, se você pagar a mais não receberá troco, e, sim um vale que deverá ser trocado por dinheiro no escritório da empresa de ônibus. Com a resposta positiva do atendente, paguei meu passe e embarquei rumo ao centro da cidade.

Ao chegar no centro, desci em um dos pontos da O’Connel Street, principal avenida do centro de Dublin, com chuva, uma mala e uma mochila pesadas. Mas, tendo mais um momento de sorte, desci próximo a um ponto de taxi.

Tentei me comunicar com a taxista, uma senhorinha muito simpática, informando onde eu gostaria de ir, mas ela não estava entendendo, até que mostrei o comprovante de reserva com o endereço da minha acomodação: Charles Street West, D7. A taxista olha minha reserva e solta um sonoro “aaaaah! Charrrrrrrrrls Streeeet West (com um forte sotaque que lembra o britânico, mas de forma bem mais difícil de compreender). Esclarecido este pequeno mal entendido, embarquei no taxi e lá se foi a taxista tentando encontrar o endereço e conversando sobre amenidades. Pensei, “pronto! Vai ser mais tranquilo do que imaginei…”. Ledo engano… A taxista não achava o endereço, e, descobri que em Dublin há nomes de ruas iguais, mas com a indicação da parte onde a mesma está localizada (North, South, West…). Nesse momento começou a me bater um pânico, pois o táxi não tinha GPS (!), a taxista estava dando muitas voltas para tentar achar o endereço e o taxímetro não parava de contabilizar a minha corrida! Quando pensei que tudo estava perdido, conseguimos achar o endereço, e, embora o taxímetro acusasse o valor de €18 a taxista me cobrou somente €12, pois ela disse que não tinha achado o endereço por culpa dela. Fiquei em choque, pois isso jamais aconteceria no Brasil. Pelo contrário, o taxista daria um milhão de voltas propositalmente para cobrar mais do turista, ressaltando que não são todos os taxistas brasileiros que agem desta forma.

Um outro choque cultural que sofri foi logo após a chegada à minha acomodação, quando a minha colega de quarto foi me levar para conhecer os mercados e lojas no centro da cidade, ao me deparar com a mão inglesa de trânsito. Para quem não sabe, a Irlanda foi colonizada pela Inglaterra, que mesmo após a sua independência permaneceu com alguns hábitos ingleses, como a mão inglesa de trânsito. Ao parar nas esquinas mais movimentadas há sempre um letreiro escrito no chão “look right” ou “look left” para os turistas mais desavisados não serem atropelados.

Mais uma coisa que achei curiosa é o grande número de pessoas andando de bicicleta nas ruas, mesmo a Irlanda sendo um país que chove muito elas vão para todos os lugares de bike, principalmente para irem ao trabalho, pois o transporte público não é muito barato lá. Facilmente você verá homens de terno e gravata montados em suas bicicletas. Mas cuidado: não menospreze esse veículo de duas rodas, pois as pessoas andam muito rápido com elas, onde os pedestres mais desavisados podem ser atropelados facilmente por uma bicicleta.

O que tirei de lição de todos esses acontecimentos curiosos é de que nunca estaremos totalmente preparados para os imprevistos. A dica que deixo para quem quer fazer um intercâmbio ou mesmo fazer uma viagem independente é a de ler e pesquisar o máximo de informações possíveis sobre o seu local de destino, diminuindo a probabilidade de imprevistos e gafes, pois se não tivesse lido muito sobre a Irlanda eu teria tido muito mais problemas na minha chegada.

Espero que tenham gostado do post. Caso tenham dúvidas podem deixar nos comentários. Nos vemos na parte 3 deste post.

See u

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Por Letícia

 

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4 comentários em “Intercâmbio na Irlanda – parte 2: choque cultural

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